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Taberna ou Taverna?

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Sábado, uma e meia da manhã. Fechei o restaurante e vim a pé. Ajudante de cozinha é sempre essa merda. Chega mais cedo que todo mundo e sai por último. Bom, agora eu só quero isso. Ficar largado no sofá com o PS4 ligado, Spotfy no Laptop e o celular fritando no face e no insta. Bora se livrar do marasmo. Afff, só perfis bizarros e tediantes. Não chamam atenção de ninguém. Há, lembrei. Deixa eu ver no Insta aquele post legal de história medieval. Bacana! Vou postar alguma coisa aqui pros caras. Já sei! Vou postar a história daquela fada safada. Pois é, já passou mais de meia hora e ninguém curtiu. Opá! já tava na hora. Uma curtida e um comentário.  “Olá, muito legal seu post”. Acesso nosso site:  www.tabernamedieval.com ”. Vamo lá mano, deixa eu ver o site desses caras. Bora digitar: “ www.tavernamedieval.com .” E ai? Entra ou não? Eitá porra. O link caiu num restaurante medieval:  “Conheça nossa especialidade: o maravilhoso hamburguer gourmet.”  Puta que pariu, essa ...

Passos

  Passos ao pé da janela... Passos molhados, acompanhados pelo som da grama sendo amassada... Passos pesados... E então, uma voz familiar. A voz da minha avó me chamando: — Mah! Era assim que ela me chamava. Tanto eu como meus irmãos. — Mah, venha jantar. Jantar? Indaguei-me. A frase era absurda. Já era madrugada. E aquela... definitivamente não era minha avó. O silêncio que se seguiu foi anormal, quase palpável. Então, um estrondo. A janela tremendo sob uma tentativa violenta — e frustrada — de ser aberta. Vidro e madeira vibraram, estremecendo em uma sequência irregular, até que cessaram abruptamente. Um grunhido de frustração. E então, novamente, passos. Passos molhados e pesados, afastando-se na escuridão. Meu coração disparou. Minhas pernas fraquejaram. Minha mente ficou turva. Mas eu não podia me deixar paralisar. Afastando o torpor, levantei num impulso e corri. Precisava checar a porta da frente. Aquela maldita fechadura... Por que demorei tanto para consertá-la? O corredor...

Passa-tempo

      Era um dia de garoa. Um daqueles dias em que mesmo que o sol brilhe por um relance, o mundo ainda parece envolto em sombras numa tênue paleta cinza. Poças de água refletem o céu branco e se distorcem com o vento frio e cortante. Alguns poucos carros indo e vindo, criando um ligeiro movimento em uma paisagem inerte  e silenciosa. Mas o silêncio é lentamente interrompido por um gradativo crescer de vozes. Vozes provindas de uma imagem familiar, facilmente reconhecível. Um grupo de crianças conversavam e riam de maneira despretensiosa, desfrutando da ingenuidade e ignorância únicas que apenas a infância pode conceder. Era fim do período de aula matutino e, como de costume, o grupo se fazia companhia no trajeto de volta a suas casas. Mas não antes de realizar o quase ritualístico momento de comer guloseimas e tomar refrigerante após a aula. As crianças adentraram no mercado do bairro, um elemento intrínseco da paisagem e de suas memórias, localizado no traje...